CRP-SC completa 34 anos de história e inicia um novo ciclo em Santa Catarina
Criado em 1992 para aproximar a Psicologia da realidade regional, o Conselho chega à marca com trajetória consolidada e gestão renovada
Trinta e quatro anos não se completam sem deixar marca. Desde que foi criado, em 12 de abril de 1992, o Conselho Regional de Psicologia de Santa Catarina (CRP-SC) atravessou transformações profundas, na sociedade, na ciência e na própria compreensão do que significa cuidar da saúde mental. E chegou até aqui como uma instituição que, além de regular, aprendeu a dialogar.
A data chega carregada de significado e de movimento. Em setembro de 2025, o CRP-SC empossou seu XII Plenário em cerimônia realizada em Florianópolis, renovando o time que conduzirá a autarquia até 2028. São 30 novos conselheiros e conselheiras prontos para escrever o próximo capítulo dessa história.
De onde veio e para que nasceu
O CRP-SC surgiu por resolução do Conselho Federal de Psicologia em um contexto de expansão acelerada da categoria no Brasil. A lógica era de descentralização: em vez de concentrar toda a gestão em nível nacional, o Sistema Conselhos passou a contar com braços regionais capazes de atender com mais proximidade os profissionais de cada estado.
Em Santa Catarina, isso significou criar uma estrutura dedicada a orientar psicólogos, emitir registros, fiscalizar o exercício da profissão e, ao mesmo tempo, participar ativamente da construção de políticas públicas. Com sede em Florianópolis, o Conselho foi, ao longo das décadas, se tornando muito mais do que um órgão regulador, consolidou-se como voz da Psicologia catarinense nos debates que importam à sociedade.
Três décadas de construção
Ao longo de 34 anos, o CRP-SC acompanhou de perto as mudanças que redesenharam o campo da saúde mental no país: a reforma psiquiátrica, a criação dos CAPS, a crescente demanda por atendimento psicológico, a chegada da tecnologia às práticas clínicas e, mais recentemente, o impacto da pandemia sobre a saúde mental da população, que trouxe a Psicologia para o centro do debate público como talvez nunca antes.
Em cada um desses momentos, coube ao Conselho não apenas regular, mas também orientar, posicionar e defender os princípios éticos que sustentam a profissão.
Um novo ciclo
Com a gestão 2025–2028 iniciada, o CRP-SC entra em uma nova fase carregando o peso e o valor de sua história. O presidente eleito, Rafael Frasson, deu o tom do que espera deste ciclo: “Sigamos firmes no trabalho e confiantes de que o fazer na Psicologia, quando exercida com ética, responsabilidade e sensibilidade humana, tem o poder de transformar vidas e contribuir para a construção de uma sociedade melhor.”
O compromisso, na prática, é o mesmo de sempre, garantir que o exercício profissional da Psicologia em Santa Catarina ocorra dentro dos parâmetros que assegurem o bem-estar coletivo. O que muda é o contexto: mais complexo, mais exigente e, por isso mesmo, mais cheio de oportunidades para que a Psicologia mostre sua força.
Confira abaixo a entrevista com o presidente Rafael Frasson

O CRP-SC completa 34 anos. O que essa marca representa para a Psicologia catarinense?
Essa trajetória representa a consolidação de uma instituição que expressa e fortalece toda a categoria profissional em Santa Catarina. Ao longo desses anos, o CRP-SC tem cumprido um papel fundamental na orientação, normatização e fiscalização do exercício profissional, sempre pautado por princípios éticos e pelo rigor científico. Mais do que isso, simboliza um compromisso contínuo com a qualificação da prática psicológica, contribuindo para que os profissionais atuem de forma responsável e sejam, de fato, agentes de transformação na vida das pessoas.
Quais são as prioridades da nova gestão para o triênio 2025–2028?
A nova gestão tem como prioridade o fortalecimento e a valorização da psicologia enquanto ciência e profissão, reafirmando seu compromisso ético, técnico e social. Buscando ampliar a visibilidade do papel da psicologia junto à sociedade, evidenciando sua relevância na compreensão das relações humanas e na promoção da saúde mental. Além disso, a gestão pretende qualificar o diálogo com a categoria e com a população, fortalecendo a atuação institucional e contribuir ativamente para a construção de políticas públicas, destacando a psicologia como um campo essencial para o cuidado, a garantia de direitos e o desenvolvimento social.
A saúde mental ganhou muito espaço no debate público nos últimos anos. Como o Conselho pretende aproveitar esse momento?
Historicamente, a psicologia já esteve envolta em estigmas e pouco acessível ao debate público. No entanto, especialmente após a pandemia, observou-se um aumento significativo na procura por serviços psicológicos em diferentes áreas, o que contribuiu para ampliar a visibilidade e o reconhecimento social da profissão. Diante desse cenário, o Conselho pretende fortalecer ainda mais a presença da psicologia na sociedade, promovendo ações de orientação, conscientização e valorização da atuação profissional. A proposta é aproveitar esse momento para qualificar o debate público sobre saúde mental, combater desinformações e reafirmar a importância de uma prática psicológica técnico-científica e comprometida com o cuidado e com os direitos da população.
Quais são os maiores desafios que a categoria enfrenta hoje em Santa Catarina e no Brasil?
Entre os principais desafios enfrentados pela categoria, destaca-se a atuação de profissionais e áreas que se apropriam de práticas e ferramentas da psicologia sem a devida formação técnico-científica, o que pode gerar riscos à população e comprometer a qualidade dos serviços ofertados. Nesse contexto, torna-se fundamental avançar em processos de regulamentação e delimitação de atribuições profissionais, especialmente em campos sensíveis como a psicoterapia, de modo a garantir maior segurança à sociedade. Esse movimento visa assegurar que tais práticas sejam conduzidas por profissionais devidamente qualificados, com formação reconhecida e orientados por princípios éticos e científicos.
Que legado o senhor gostaria que esta gestão deixasse ao final dos três anos?
A expectativa é deixar como legado o fortalecimento de uma psicologia cada vez mais reconhecida e valorizada enquanto ciência e profissão, consolidando sua relevância social. Buscar, também, ampliar o reconhecimento público de sua importância nas diversas dimensões da vida humana e ao mesmo tempo reafirmar seu compromisso ético com a promoção da saúde mental, a garantia de direitos e o cuidado qualificado à população.